Quarta-feira, 25 de Julho de 2007
“É preciso rapidamente apear este presidente e esta direcção”

Uma forte determinação de combater determinadas coisas que julga não estarem bem no seio da AAC, levou Luís Santarino a colocar-se na corrida para as próximas eleições do clube…

Luís Santarino, um dos candidatos às próximas eleições para a direcção da AAC, que vão decorrer em 2008, esteve à conversa com o Preto no Branco.

Nascido e criado na cidade de Coimbra, este academista de 58 anos, que sente o clube como poucos, revelou ao nosso jornal a sua determinação em assumir a responsabilidade de tomar conta de uma Académica que teme, em breve, deixar de conhecer. “Está a perder aquilo que melhor tinha, princípios e valores”, lamentou.

 

É sócio da Associação Académica desde muito cedo?

Quase desde que nasci. Desde os 10 anos.

Para além de sócio da AAC é também sócio do Olivais Futebol Clube, onde é treinador de basquetebol…

Sim. E sou também sócio do Sport Club Conimbricense, que foi fundado pela minha família, e sou sócio dos Bombeiros Voluntários.

O Basquetebol é a sua modalidade de eleição?

O Basquetebol é uma modalidade que eu pratiquei e me habituei a gostar. Sempre joguei na Académica.

A sua ligação à AAC é antiga. E dentro do clube, já desempenhou algum cargo?

Nunca desempenhei nenhuma função porque nunca quis. Sempre entendi que não estavam reunidas as condições para colocar em prática um programa que eu tinha delineado.

Há um conjunto de pressupostos que são necessários, que eram necessários e continuam a ser para que eu possa integrar uma lista da Académica. Como não encontrei ninguém até hoje que fosse capaz de completar aquilo que eu acho que deve ser a Académica e o meu pensamento do clube, assumo a responsabilidade, eventualmente quando houver eleições, de me estar a preparar obviamente para uma candidatura à AAC/OAF.

Está a preparar-se para em 2008, aquando do próximo acto eleitoral da AAC, aparecer como real candidato para a direcção do clube?

Se não aparecer mais ninguém eu serei candidato. Há duas pessoas por quem eu desistirei da minha campanha e ajudarei. Uma é Campos Coroa, a outra não digo quem é… está no segredo dos deuses.

Se não aparecer nenhum candidato que seja verdadeiramente da Académica e que reúna as condições que eu entendo que deve ter um candidato para assumir a responsabilidade de gerir os destinos da Académica no seu todo, naturalmente serei candidato… e para ganhar.

Tem por hábito acompanhar e apoiar a AAC, ou como muitos outros apenas critica?

Eu não tenho por hábito criticar. Critico o que devo criticar e apoio o que devo apoiar.

A equipa não é criticável, os jogadores não são criticáveis. Acho que cada um que está dentro de campo faz o que pode. O corpo técnico está sempre sujeito a criticas, assim como os dirigentes e quem não sabe viver com a crítica está mal no futebol e na vida.

Sou de Coimbra e sendo desta cidade tenho grande respeito por todas as pessoas que aqui desenvolvem a sua actividade. Todos somos poucos para ajudar a AAC a sobreviver neste mundo animal que é o futebol, sem que o clube tenha de perder os seus valores, os seus princípios e o seu passado que é riquíssimo.

O que eu costumo dizer é que a direcção destes últimos anos tem feito um abastardamento completo daquilo que é a Académica. Estes senhores que lá estão não fazem ideia nenhuma do que é a Académica, nunca acompanharam o clube quando esteve na 2ª Divisão, nunca acompanharam os sofrimentos dos outros dirigentes ou jogadores.

Acha então que esta direcção caiu aqui de “pára-quedas”?

Claro. Vieram aqui parar porque houve uma altura em que alguém precisou de tirar o tapete a Campos Coroa (é uma história que estará para um dia contar).

Era apoiante de Campos Coroa…

Era, obviamente. Era um homem que conseguia gerir a Académica com um subsídio anual de 75 mil contos (375 euros na moeda actual) mais o dinheiro da televisão e uns patrocínios.

E dos últimos dirigentes, que estiveram à frente dos destinos da AAC, com qual mais concordou e apoiou?

Paulo Cardoso sempre teve o meu apoio. Foi um grande senhor da Académica. Paulo Cardoso e Campos Coroa, sem dúvida nenhuma.

A Académica é um espaço de alegria, não é um espaço de tristeza. Mas a Académica destes últimos anos com orçamentos de milhões de euros, sempre a lutar para não descer é um espaço de tristeza. As pessoas vêm ao futebol sem alegria

Anda assim tão desencantado com o estado actual da AAC?

Não ando desencantado, ando é com uma forte determinação em combater este estado de coisas. Percebo o desalento das pessoas, que estão todas muito tristes e preocupadas…

Esse é o estado de espírito dominante?

É o estado de espírito dominante. Chegou a altura de dizer basta. É preciso discutir a AAC como deve ser e alguém ir a votos. É preciso rapidamente apear este presidente e esta direcção.

É, então, bastante crítico em relação à gestão que o actual presidente – José Eduardo Simões -, assim como a restante direcção do clube, tem feito?

Todos… não é só o presidente. Quando se gasta um orçamento de um milhão e 200 mil contos (600 mil euros) e se desce de divisão, quando se tenta enganar um atleta senegalês (N’Doye) e todos, incluindo os próprios dirigentes, dizem que isto é um desastre e se lamentam, mas ninguém se demite e fica tudo como está… é óbvio que são todos coniventes. Não ataco só o presidente, ataco-os todos, porque é a direcção no seu conjunto que está a prestar um mau serviço, não só à Académica, como a Coimbra ou ao país.

A Académica, como já disse, pelo seu passado e história, devia então ser mais do que um clube que se limita a andar pelo fundo da tabela…

Não é só a questão de andar pelo fundo da tabela. A Académica pode andar pelo fundo da tabela, mas com dignidade, não pode é andar com escândalos, uns atrás dos outros.

Na última época, apesar do clube ter conseguido a manutenção na 1ª Liga não houve entusiasmo no estádio, como acontecia em épocas passadas.

Eu lembro-me de um jogo em Chaves, em que na última jornada conseguimos a manutenção na 1ª Divisão. Fez-se uma grande festa em Chaves e depois continuou-se e festa em Coimbra, porque ali havia sacrifício, trabalho e dedicação. Não havia dinheiro, havia sim grandes dificuldades e as pessoas viam que aquilo era o máximo que se podia dar. Agora não… são os contratos dos jogadores, os brasileiros que entram e saem, a quantidade de dinheiro que se gasta na contratação de jogadores, que depois se vão embora sem a Académica receber um tostão… Tudo isto cheira a esturro e não parece bem. Por isso é normal que se diga que isto tem de mudar. É preciso ter alguma coragem para dizer basta.

Acho que esta direcção tem cometido muitas ilegalidades para continuar à frente dos destinos da Académica.

Em relação ao polémico jogo amigável com o Vitória de Guimarães, qual foi a sua posição? Opôs-se à realização do mesmo?

Claro. A realização do jogo com o Vitória de Guimarães sem qualquer coisa que, eventualmente determinasse um pedido de desculpas por parte do clube de Guimarães foi um absurdo. Foi um atentado à memória da Académica porque não respeitaram antigos dirigentes do clube, como Jorge Anjinho, Paulo Cardoso, Campos Coroa. Foi uma falta de respeito total… quando não se respeita a memória, não se respeita nada.

É triste, a Académica começa a ficar num beco sem saída tal como aconteceu com o SC Salgueiros ou com o União de Lamas.

Está bastante pessimista…

Começa a ser igual. A Académica está a perder aquilo que melhor tinha, princípios e valores. Um dia destes este clube não tem nada a ver com aquela Académica que nós conhecemos.

Quais são as suas expectativas em relação à época futebolística que agora se inicia?

Espero que a Académica tenha uma excelente época.

 

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publicado por jornalpretonobranco às 23:50
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Terça-feira, 3 de Julho de 2007
Soure sem casos de corrupção investigados

Sob o lema “Diga Não à Corrupção”, a Polícia Judiciária (PJ) em conjunto com a Direcção Geral das Contribuições e Impostos e da Inspecção Geral de Finanças organizou uma exposição temática denominada “Contra a Corrupção: Integridade e Transparência” que decorreu, em Maio, no átrio principal da Directoria Nacional da Polícia Judiciária, em Lisboa, e na cidade do Porto, entre os dias 12 e 30 de Junho.

 O objectivo que se pretende alcançar com esta iniciativa “é a sensibilização do público para as consequências da corrupção, através de uma mensagem de prevenção acompanhada de um apelo à cidadania responsável e participativa”, pode ler-se no site oficial da PJ na Internet. Por isso, a exposição terá um carácter itinerante, passando até ao final do ano pelas cidades de Braga, Faro, Évora, Setúbal e Coimbra, regressando novamente a Lisboa, onde será encerrada no dia nove de Dezembro, data em que se assinala o Dia Internacional Contra a Corrupção.

  O director nacional da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, aquando da inauguração da exposição, que decorreu no mês passado na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, afirmou que “o combate contra a corrupção é uma prioridade” na actividade daquela força policial, embora considere que a situação em Portugal “não é muito grave”. “É preciso dizer que os números portugueses não são tão disfuncionais como alguma retórica pode, às vezes, deixar parecer”, justificou o director nacional da PJ.

 As estatísticas apresentadas na exposição indicam que Portugal se encontra no grupo dos países em que o controlo da corrupção se situa entre 75 e 90%, surgindo ainda o país no 19º lugar na lista de custos de corrupção nos negócios. Esta lista, que inclui 105 países de todo o mundo, é liderada pela Islândia, com 6,9 pontos, surgindo Portugal em 19º lugar, com 5,9 pontos.

 Refira-se que em 2006, foram recebidas 341 participações relativas a casos de corrupção. Estes dados mostram uma variação pequena do número de casos de corrupção investigados em Portugal nos últimos anos, o que Alípio Ribeiro atribuiu ao facto das estatísticas apenas se referirem aos casos de corrupção no sentido estrito. “Temos de associar a corrupção a fenómenos de criminalidade organizada, como o tráfico de droga, a evasão fiscal ou o branqueamento de capitais e aí teremos outros números”, afirmou o responsável máximo da Polícia Judiciária.

 Na nossa região, no que a esta matéria diz respeito, concretamente nos concelhos de Soure, Montemor e Condeixa, bem como na cidade de Coimbra, segundo dados a que o Preto no Branco teve acesso, foram 10 os casos de corrupção (activa e / ou passiva para acto ilícito) investigados pelas autoridades competentes desde Janeiro de 2005 até à data. De referir que, destes valores, nove aconteceram em Coimbra seguindo-se Montemor-o-Velho com um caso investigado. Ao invés, os concelhos de Soure e Condeixa-a-Nova não registam qualquer caso de investigação pela prática deste tipo de crime.

 

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publicado por jornalpretonobranco às 17:54
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