Terça-feira, 5 de Setembro de 2006
Janeiro 2006 - Entrevista com David Fonseca

O Teatro Académico de Gil Vicente recebeu, no dia seis de Dezembro, o músico David Fonseca, que se deslocou à cidade dos estudantes para apresentar o seu novo álbum “Our Hearts Will Beat As One”. Um disco que foi editado a 24 de Outubro de 2005, e entrou na semana seguinte para o primeiro lugar de vendas de discos em Portugal.

Recorde-se que David Fonseca ficou conhecido pelo estrondoso sucesso da sua antiga banda. Os Silence 4, primeiro com “Silence Becomes It”, venderam mais de 240 mil unidades, e, depois com “Only Pain Is Real”, mais de 100 mil exemplares.

Estes primeiros concertos, que deram início à digressão, marcam não só a edição de “Our Hearts Will Beat As One”, como lançam o novo espectáculo, que conta com uma apresentação cénica única e bastante cuidada.

Em palco, David Fonseca é acompanhado por Ricardo Fiel (guitarra), Nuno Simões (baixo), Sérgio Nascimento (bateria), Paulo Pereira (teclado e sintetizadores) e Rita (piano).

No final do concerto, após uma demorada sessão de autógrafos e fotografias com os fãs, David Fonseca conversou com o Preto no Branco.

 O que é que achas-te dos primeiros concertos, que marcaram o início da tua digressão?

 O primeiro (aconteceu no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, no dia 11 de Novembro), é sempre o mais problemático, estamos com os nervos à flor da pele, mas correu muito bem. Tivemos uma recepção muito entusiástica, e para começar não há melhor. Foi um bom empurrão.

Aqui em Coimbra, acho que também correu muito bem, o público esteve muito receptivo. Foi um espectáculo muito divertido.

 Porque é que consideras estes concertos de apresentação do disco “Our Hearts Will Beat As One” como algo novo para ti?

 Porque existe uma maior preocupação com a concepção cénica.

 Quais é que são as grandes diferenças entre o teu primeiro disco a solo, “Sing Me Something New” e este que estás a a apresentar?

 Para além das diferenças estéticas, este disco vale pelo todo. É um disco pensado para ser um disco.

Estas canções são as melhores que eu já fiz.

  Qual é a tua fonte de inspiração?

 Esse conceito é relativo. Eu tento que as músicas tratem momentos marcantes da minha vida. É muito pessoal, está relacionado com momentos específicos da vida.

 Tocar para uma sala cheia e o processo de criação...

 São duas coisas diferentes, mas ambas trazem o seu grau de angústia. Escrever é um processo difícil, mas que me dá muito prazer. Quando toco ao vivo é tudo muito rápido, não dá para voltar a trás... São indissociáveis, uma tarefa leva à outra.

 Uma das canções  do teu novo disco é cantada em português, “Adeus/Não Afastes Os Teus Olhos Dos Meus”. Como é que surgiu?

 Surgiu em português porque tinha de ser dessa forma, e não contrariei. Não é um dado para o futuro.

  Que motivos é que te levaram a aceitar participar no projecto “Humanos”?

 As pessoas envolvidas atraíram-me imediatamente, já que se tratavam de músicos que eu admiro. E também o facto do projecto reunir estes músicos à volta de um músico que eu admirava.

Foi das coisas que eu mais gostei de fazer nos últimos anos, à parte da minha carreira pessoal.

 Um momento memorável da tua carreira...

 Há muitos. Eu ligo-me principalmente a momentos de descoberta de novas coisa que possa fazer. E acredito que este disco possa ser um ponto alto da minha carreira.

 Quais são as coisas boas e más do teu trabalho?

 As boas, fazer o que gosto. Estar envolvido na área criativa, que é o que sempre quis fazer. As más, têm a ver com o facto de sobrar pouco tempo para ter uma vida mais pessoal. Mas lá se vai equilibrando uma coisa com  a outra.

 Se não estivesses a trabalhar como é que passarias o tempo?

 Eu era incapaz de não trabalhar, tenho muita energia. Mas, nos tempos livres vejo cinema, estou com os amigos, com a família e dedico-me à fotografia, que é o meu hobby favorito.



publicado por jornalpretonobranco às 16:32
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